Macau e a Primeira Grande Guerra

CdaMaia em HKong

Carlos da Maia visita Hong Kong no dia 10 de Junho de 1914.

O ano de 2014 assinalou o centenário da Primeira Grande Guerra Mundial, período que assistiu em Macau à governação de Carlos da Maia e a um esforço de preparação para resistir aos conflitos mundial e chinês vividos na altura.

O assassinato do arquiduque Francisco Fernando em Sarajevo que desencadeou a 1ª Grande Guerra Mundial foi apenas o percutor de um conflito latente que apenas precisava de uma justificação, fosse ela qual fosse, para eclodir. De facto na era dos caminhos-de-ferro a Alemanha e a Grã-Bretanha eram duas locomotivas a avançar a pleno vapor em sentidos contrários na mesma ferrovia sem que aos maquinistas ocorresse que era necessário mudar de agulha para fugir ao desastre.

Ainda hoje se debate sobre quem, nesse contexto, assumiu o papel de agressor. Essa discussão, porém, parece pouco contribuir para a compreensão de um conflito que era de facto inevitável. É que, voltando à alusão ferroviária, os “maquinistas” das duas locomotivas já não dominavam as máquinas limitando-se fatalisticamente a aceitar que o Mundo se encontrava inexoravelmente em rota de colisão.

As causas da Primeira Grande Guerra Mundial estão hoje bem determinadas prendendo-se essencialmente com a entrada da Alemanha na expansão colonial por um lado e com a corrida aos armamentos, nomeadamente através do plano de desenvolvimento da marinha germânica que significava uma ameaça directa ao domínio absoluto dos mares exercido até então pela Grã-Bretanha.

A Alemanha entrou tardiamente na corrida imperial ultramarina e mais tarde ainda na busca de uma presença na China, que conseguiu obter em 1898 com o estabelecimento de uma colónia na localidade portuária de Tsingtao, na província de Shandong Esta presença foi conseguida (senão mesmo extorquida à China) a pretexto da protecção dos missionários alemães alegadamente ameaçados pelas forças “anti-estrangeiras” que se organizavam e ganhavam terreno no Império. Este movimento viria a culminar com a revolta dos “boxers” que eclodiria dois anos mais tarde ao abrir do pano para o século XX (1900).

Rapidamente a Alemanha transformaria Tsingtao num activo entreposto comercial cuja estrutura seria completada com a construção de cais de acostagem que passariam a abrigar o comando naval da esquadra alemã do Pacífico constituída por vários navios de guerra entre os quais sete dos mais modernos cruzadores que a indústria naval alemã, em plena expansão, tinha produzido.

A potência destruidora dessa esquadra seria demonstrada já durante a guerra na batalha naval de Coronel (junto à ilha do mesmo nome nas costas do Chile). Este recontro travado no início de Novembro de 1914 culminou com a derrota da esquadra inglesa. Tratou-se da primeira derrota britânica significativa em dois séculos de supremacia naval indisputada da Inglaterra. A vitória alemã era adivinhada muito antes e a base naval de Tsingtao vista como uma ameaça directa e uma “intromissão intolerável de um recém-chegado” ao concerto das potências coloniais que já desde, pelo menos, a “Conferência de Berlim” (1884) tinham dividido os seus domínios colonias e estabilizado esferas de influência.

Nesse contexto de confronto asiático a tensão geopolítica incrementava-se tendo em conta que Tsingtao fechava estrategicamente o domínio da bacia do Pacífico onde a Alemanha tinha colonizado vários arquipélagos (Ilhas Bismark, Marshal e parte do arquipélago de Samoa).

Para além da ameaça directa à Grã-Bretanha a presença alemã no Extremo Oriente inquietava naturalmente as restantes potências europeias, mas também o Japão que prosseguia igualmente uma política colonial de expansão regional nomeadamente no Nordeste Asiático.

De entre as potências coloniais a que menos se encontrava representada na China em termos de extensão territorial) era Portugal que apenas possuía a sua colónia de Macau constituída por uma península onde se erguia a cidade com uma população de cerca de 120 mil habitantes, e duas pequenas ilhas (Taipa e Coloane), praticamente sem potencial militar nem capacidade de defesa face à pequenez das suas dimensões. Tendo essas circunstâncias em conta dir-se-ia que Macau não teria qualquer importância no vasto contexto político militar do Extremo Oriente. Mas a realidade era exactamente a oposta. Para Portugal, era essencial que cada uma das suas possessões ultramarinas participasse activamente nos planos político-militares que os aliados lhes destinassem, fossem eles quais fossem independentemente das dimensões geográficas de cada uma. Isto tendo como fim último a preservação do seu todo colonial (principalmente africano) sempre exposto à cobiça das potências europeias mais fortes, sem excluir a velha aliada Inglaterra.

A entrada de Portugal na guerra foi pois um imperativo ditado pela preservação das colónias cujo reconhecimento foi assegurada desde logo através de uma declaração de Londres em que “o governo britânico pedia expressamente a Lisboa que não declarasse neutralidade nem participação na guerra. Em contrapartida assegurava que: “…ao abrigo da aliança anglo-portuguesa, o Reino Unido reconhece o direito de Portugal às colónias africanas, contra as pretensões ou iniciativas da Alemanha”. Essa declaração vinha ao encontro das expectativas portuguesas postando-se como uma garantia contra eventuais acordos de partilha das suas possessões pelas potências vencedoras no final do confronto.

Tendo em conta a conjuntura que marcava o limiar da eclosão da Grande Guerra” onde se avolumavam nuvens de borrasca negras de dúvidas no horizonte geopolítico mundial, Macau apesar de diminuta geograficamente valia tanto para Portugal como as grandes colónias africanas de Angola e Moçambique, ainda que nas garantias inglesas as poções asiáticas portuguesas (Goa, Macau e Timor) não tivessem merecido menção.

Parece ter sido essa omissão a razão essencial que leva Lisboa a quebrar com uma tradição secular na escolha de governadores para Macau que recaía entre os militares que iniciavam carreira na administração colonial, nomeando em vez disso, um peso pesado da política portuguesa, Carlos da Maia.

Um dos fundadores da república (5 de Outubro de 1910), Carlos da Maia deixou o serviço activo na marinha com a patente de capitão-tenente para se dedicar por inteiro à política ocupando o lugar de deputado na Assembleia Constituinte. Depois disso passou a integrar os quadros da Direcção-Geral das Colónias, conhecendo por dentro todos os meandros da política colonial portuguesa bem como a geoestratégia internacional nessa área. Terá sido por esse facto que o governo o nomeou para o então sensível cargo de governador Macau. Saliente-se que à data da nomeação (10 de Junho de 1914) Carlos da Maia se encontrava já em oposição à corrente maioritária do regime que tinha ajudado a implantar. Essa corrente que viria a cindir a república constituiria o que veio a ser conhecido como Partido Democrático (PD) liderado por Afonso Costa e Bernardino Machado que directa, ou indirectamente governaria o país ao longo dos 16 anos que durou a primeira república em Portugal. Carlos da Maia acusava os políticos do “PD” de se afastarem da pureza dos genuínos ideais revolucionários. No entanto o facto de à data Bernardino Machado, responsável pela nomeação de Carlos da Maia, se afirmar como chefe de um governo de “reconciliação nacional” justificou a escolha extra partidária.

Carlos da Maia chegou a Macau num momento em que todo o extremo oriente se agitava. A Norte o Japão ocupava a Manchúria e a Coreia enquanto paredes meias a China que três anos antes tinha proclamado a república via um dos seus mais prestigiados caudilhos (general Yuan-chi-kai) voltar com a palavra atrás, fazer ressuscitar o antigo regime e autoproclamar-se imperador. A China divide-se então mergulhando numa guerra civil que esfrangalha o país e que só terminará verdadeiramente em 1949 com a derrota dos nacionalistas e a proclamação da República Popular em 1 de Outubro de 1949.

Nesse contexto de divisão a província de Guangdong declara-se independente e republicana deixando de obedecer a Pequim. Por seu turno Yuan-chi-kai responde enviando tropas para o sul que momentaneamente sobrelevam os republicanos cujos líderes retiram estrategicamente para os “santuários” de que dispunhas nas colónias britânica e portuguesa na foz do Rio das Pérolas. Em Macau estabeleceram mesmo um dos principais quartéis-generais militares da contra ofensiva republicana.

A minúscula Macau encontrava-se assim, mergulhada num caldeirão politico em ebulição que ameaçava transbordar a todo o momento. Entretanto o conflito mundial eclodia na Europa e o Japão depois de um breve período de neutralidade declarava guerra à Alemanha em 15 de Agosto de 1914 pondo cerco a Tsingtao que seria a primeira colónia germânica a cair nas mãos dos aliados da “entente”.

No final do conflito a presença alemã na China e na bacia do Pacífico seria totalmente erradicada.

Nesse processo de clarificação de posições a China mergulhada na guerra civil e sem um centro político de decisão nacional tardava em pronunciar-se.

Carlos da Maia chega a Macau essencialmente incumbido da missão de preparar a colónia para resistir a eventuais ameaças, ainda que militarmente pouco discerníveis e coordenar com os seus homólogos de Hong Kong e da Indochina políticas para fazer face às iniciativas estratégicas alemãs.

Para Macau o perigo decorria muito mais da anarquia em que a china se encontrava mergulhada do que da iniciativa alemã. Isto, tanto mais que, a esquadra germânica deixaria definitivamente a sua base da península de Shandong que se rendia às forças conjuntas anglo-nipónicas, depois de ferozes e prolongados combates, para se lançar em operações de caça às esquadras inimigas nas costas sul americanas e nos mares do Índico.

Para Macau a “Grande Guerra” seria sempre um conflito longínquo. Isto ainda que todos os seus desenvolvimentos se repercutissem nas páginas da imprensa local, ainda que raramente sobrelevavam os títulos de primeira página essencialmente dedicados aos acontecimentos do quotidiano local. Macau estava demasiado longe dos teatros da guerra europeia mas demasiado perto do palco revolucionário da China. Luís Nolasco, director do jornal “O Progresso” chamando a atenção para o facto de Macau se encontrar numa das situações mais delicadas da sua história e que teria de organizar a sua defesa para fazer face a agressões externas, ou subjugar “algum movimento insurreccional interno” sintetizava assim a situação: – “Temos de um lado a Europa empenhada nessa gigantesca e encarniçada luta fratricida despendendo milhões por dia e sacrificando milhares de vidas nessa hecatombe formidável dos campos de batalha. Por outro lado vemos nos jornais que a China está também em vésperas de uma contra revolução. O irrequieto dr. Sun-iat-sen e os seus agentes revolucionários seguiram pelos cabelos este ensejo da conflagração europeia para desfraldar novamente o pendão da revolta”.

Apesar da ameaça alemã ser vista pelos planeadores militares como bastante vaga e de difícil concretização o governo de Macau não deixou de tomar medidas, nesse âmbito, pedindo nomeadamente o envio de uma força militar para reforçar a guarnição existente considerada insuficiente, mesmo em tempos de paz. No entanto o governo de Lisboa fez “ouvidos moucos” ao pedido e em vez de mandar reforços exigiu antes o envio da quantia de “120 contos” para Angola, para onde, sim, Portugal estava a enviar consideráveis forças militares destinadas a proteger a fronteira Sul que confinava com a colónia germânica da Namíbia. A remissão de tão elevada quantia, não deixou de levantar os mais veementes protestos das forças vivas de Macau que, no entanto, não produziram qualquer efeito junto de um governo que canalizava todas as suas energias políticas e económicas para África.

Do ponto de vista administrativo Macau encontrava-se num estado de desorganização patente, ainda que economicamente os monopólios do ópio e do jogo, entre outros assegurassem ao governo elevadas receitas. Estas fontes foram aproveitadas por Carlos da Maia para por em marcha um plano de reorganização política e administrativa que vinha sendo adiada desde a mudança de regime em 1910.

Foram igualmente essas fontes de receita que lhe permitiram modernizar com sucesso o esquema defensivo em terra e no mar.

Perante a recusa do governo da metrópole de enviar tropas, o governador toma a iniciativa de organizar um batalhão de voluntários encarregado de auxiliar a guarnição militar local. Este corpo voluntário pouco acrescentava ao dispositivo militar existente não compensando de modo algum a lacuna deixada pela recusa metropolitana, Carlos da Maia sabia-o bem, mas apesar do seu pequeno número a organização do “batalhão de voluntários” visava essencialmente um efeito político e propagandístico exaltando o moral da população de Macau. Apesar de nunca terem tido oportunidade de entrar em acção os voluntários efectuaram treino regular ao longo de todo o período da guerra sendo amiúde citados na propaganda como um exemplo de orgulho nacional na imprensa metropolitana e estrangeira.

A par do “batalhão voluntário” o governado procedeu também à reorganização dos serviços de manutenção da ordem pública com a criação da polícia civil (30-10-1915), organização estruturada segundo os conceitos mais modernos em vigor.

Na área de marinha foram igualmente dados passos decisivos num sector que se encontrava em decadência e impossibilitado de efectuar uma guarda minimamente eficaz das costas de Macau e das ilhas, bem como a protecção contra a actividade dos piratas que se mostravam impunes na região do Delta e muitas vezes efectuavam assaltos em terra penetrando até aos mais movimentados bairros do interior da cidade. Para o efeito foi lançado um plano de aquisição de cinco lanchas canhoneiras que restabeleceram o sistema de defesa naval.

A culminar toda a estrutura Macau e as ilhas ficaram também ligadas pelo primeiro sistema de comunicações através da telegrafia sem fios. Esta novidade tinha uma importância fundamental tendo em conta que não existiam pontes entre Macau e as ilhas sendo as ligações efectuadas por embarcações civis que efectuavam o percurso com irregularidade, ou muitas vezes, pelas próprias lanchas da marinha à falta dessas carreiras regulares.

A par de tudo isto Carlos da Maia aproveitando, como disse, os plenos poderes com que vinha investido de Lisboa e a boa situação económica local interveio também noutros sectores ainda que nem sempre com o mesmo sucesso.

Para além de ter levado a efeito um plano de construção de um sistema de escolas primárias (que ficaram conhecidas como “Escolas República”), no plano da educação, construiu também, na área da saúde, uma leprosaria na ilha de D. João (actual Heng Chin), introduzindo igualmente um sistema de subsídios aos três principais hospitais (Kiang  Wu, S. Rafael e S. Januário).

A criação de uma inspecção dos incêndios comandada pelo major Craveiro Lopes (pai do antigo presidente da república Francisco Higino Craveiro Lopes), com a aquisição à Grã-Bretanha do mais moderno equipamento automóvel foi outro ponto importante da sua administração.

A par dos sucessos que a história lhe reconhece, Carlos da Maia também conheceu o fracasso em dois pontos importantes do seu mandato. O primeiro foi a tentativa de levar a cabo e concluir as obras de regularização do Porto Interior e o segundo a implementação uma Carta Orgânica de Macau.

O plano de reorganização do Porto Interior, que já vinha de trás, voltou a confrontar-se com a hostilidade chinesa que via nele uma tentativa de expansão de Macau tendente à ocupação por Portugal da ilha da Lapa fronteira ao referido porto. Apesar do bom relacionamento de Carlos da Maia com as autoridades republicanas de Cantão, as correntes nacionalistas ali prevalecentes boicotaram todas as tentativas o que acabaria por fazer fracassar o projecto. A implementação da carta orgânica que deveria substituir o antigo estatuto que vinha de 1842 e que corria em linha com a reorganização político-administrativa das colónias portuguesas, foi igualmente plano que fracassou antes mesmo de ver a luz do dia. Ao que parece a principal razão do desfecho deve-se ao facto de Carlos da Maia, à semelhança do que tinha feito antes dele o governador Ferreira do Amaral (1846-49), ter proposto a extinção do Leal Senado transformando a antiga instituição numa secretaria do governo para os assuntos municipais.

Esta proposta parece ter constituído uma das principais razões que levou à sua demissão. Uma demissão que Carlos da Maia contestou resolutamente mesmo depois de ter regressado a Lisboa, o que fez com que durante largos meses o governo de Macau tivesse ficado a cargo do secretário-geral Manuel Ferreira da Rocha com poderes limitados delegados pelo próprio Carlos da Maia que chegou a despachar assuntos correntes da colónia a partir de Lisboa.

Esta situação vista como anómala pelo direito administrativo era agravada pelo facto de Ferreira da Rocha, ser próximo do Partido Democrático de Afonso Costa, que tinha voltado à chefia do governo e que era inimigo político confesso de Carlos da Maia.

Carlos da Maia embarcou no dia 5 de Setembro de 1916 de regresso a Lisboa, num momento em que tropas portuguesas se preparavam para atravessar em Moçambique o rio Rovuma e penetrar em território alemão uma ofensiva que viria a ter custos terríveis para o exército português.

Do outro lado das Portas do Cerco Yuan-chi-kay depois de se ter autoproclamado imperador morria (6 de Junho de 1916) antes de ocupar o trono e de imediato a China mergulhou na guerra civil vendo-se dividida de facto pelos senhores da Guerra em várias províncias virtualmente independentes. Na província de Guangdong vizinha de Macau os republicanos voltaram ao poder ainda que coexistindo em frágeis alianças com os senhores da guerra.

Apesar do caos o governo central sedeado em Pequim existia ainda que apenas ou quase só nominalmente já que não tinha poder sobre o país. No entanto apenas pelo facto de existir era reconhecido diplomaticamente pela comunidade internacional o que permitiu ao presidente da república general Feng Guozhang, a 14 de Agosto de 1917, acabar com o impasse que persistia e declarar guerra à Alemanha. A tomada de posição chinesa visava não só obter um lugar à mesa dos vencedores no final da guerra, mas também retomar o controlo sobre a província de Shandong ocupada pelos japoneses. Os aliados deram como bem-vinda a entrada de Pequim na guerra, mas rejeitaram o envio de tropas para as frentes de combate preferindo negociar a contratação de trabalhadores para a construção e reparação das linhas de caminho-de-ferro na Europa. O contingente laboral chinês ascenderia até ao final do conflito a mais de 100 mil trabalhadores.

Terminado o consulado de Carlos da Maia, Macau voltou a perder protagonismo no seio do império e a política de maior ou menor indiferencia, porque sempre se tinham pautado os governos de Lisboa, relativamente à sua colónia da China regressou. Essa atitude ficou bem patenteada no facto de Macau ter ficado entregue a administrações interinas durante quase dois anos, até à chegada de Artur Tamagnini Barbosa como governador em Outubro de 1918. Precisamente um mês antes da assinatura do armistício (11 de Novembro de 1918) que poria termo à Grande Guerra Mundial.

João Guedes

In Jornal Ponto Final 14 de Janeiro de 2015

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