Bernard Lewis.

Advertência inicial: O texto que se segue é o script de “Guarda-livros” segmento que faz parte do programa “A Montra do Lilau”. Segue sem alterações nem acrescentos.

Boa noite.

Hoje vou-lhe falar de um autor e de quatro livros.

Tenho aqui um apenas traduzido para português.

PEGO NO LIVRO A CRISE DO ISLÃO

O autor chama-se Bernard Lewis.

Nasceu em Londres em 1916 e apesar da idade, continua a ser o dono da cadeira de estudos do Próximo Oriente das Universidades de Cleveland e Princeton, nos Estados Unidos.

Especializou-se em História do Islão e na interacção entre o Islão e o Ocidente ganhou fama mundial graças aos estudos que publicou sobre a história do Império Otomano.

Naturalmente que não preciso de lhe lembrar que o Império Otomano é a actual Turquia, onde se assiste neste momento a uma luta entre os que querem manter o sistema laico do regime – as mulheres sem véu, por exemplo menor – e aderir à União Europeia.

E os que rejeitam a revolução de Mustafá Kemal Ataturk e preferem pertencer ao mundo islâmico – homens de cabeça descoberta (ou de chapéu, em vez de turbante).

Uns querem uma Turquia moderna, os outros o reingresso no Corão puro e duro.

Os militares – como sempre, guardiães do laicismo na Turquia – já ameaçaram que, se houver um regresso ao passado, vão intervir.

(por  isso uns tantos já foram presos)

A União Europeia reagiu desde logo a dizer que eleições livres não são para contestar.

Má consciência da União Europeia, diria eu, já que, quando os islamitas argelinos ganharam as eleições e os militares as anularam, aqui há uns anos, nenhuma voz se levantou na Europa para as impugnar.

É sobre estas contradições que Bernard Lewis fala nos seus livros.

Neste, que se chama, What Went Wrong (MOSTRAR)

Ou neste, que se chama The Crisis Of Islam (MOSTRAR)

E, finamente, neste, The Middle East, a Brief History of the Last 2000 years.

MOTRAR

Esta obra, publicada há três anos, condensa as aulas de décadas anteriores de um professor com uma  visão particular do mundo, depois da dicotomia entre o Ocidente e o Oriente ter deixado de existir com a queda do muro de Berlim e novas dicotomias terem surgido.

Bernard Lewis, é actualmente um dos mais lidos académicos do mundo na especialidade e as suas teses são tidas em atenção e fazem política nos Estados Unidos da América.

São 60 anos de cátedra e diz-se que Lewis é hoje o mais influente historiador Ocidental do Islão e do Médio Oriente.

Devo dizer que, embora, simpatizando com o que defende, penso que muitas vezes exagera na eventual ameaça que o Islão representa para o mundo.

Mesmo, apesar da El Qaida, dos bombistas suicidas, dos atentados de Beslam, de Madrid, de Londres e das Torres gémeas de Nova Iorque.

Pelo menos não estou a ver no século XXI os exércitos do Islão a unirem-se para reconquistar a Andaluzia espanhola e o Algarve.

Não acredito que isso seja possível.

Mas, tal como todos os académicos, defende uma tese e nela pensa condensar a verdade e defende-a com vigor.

Mas quer estejamos de acordo com ele ou não, a verdade é que os conselheiros de George Bush, o presidente americano, o leram e dele tiraram ilacções.

E delas resultou, entre outras, a invasão do Iraque, do Afeganistão, o contencioso com o Irão, o impasse da Palestina e o mais que adiante se verá nas notícias de telejornal de todo o mundo nos próximos tempos

Tudo porque George Bush (republicano) tem direito de veto às leis do Congresso (actualmente dominado pelos democratas).

Se quiser conhecer o mundo islâmico, que vai do Médio Oriente à Indonésia – e às minorias da Austrália e Timor – e estar a par do que se passa por esta Ásia,  não deixe de ler Bernard Lewis, concorde, ou não com ele.

E se tiver verdadeiro interesse comece por este.

MOSTRAR – WHAT WENT WRONG.

De certeza que não vai dar por perdido o seu tempo.

Se calhar vai perceber a importância desta notícia do Telejornal.

ENTRA AL ZARKAWI (TJ de 06/05/07)

O Número dois da Al – Queida mostrou que está são e vivo e, principalmente, parece querer demonstrar que apesar de já lá irem mais de oitocentos anos as cruzadas não só não acabaram, como estão vivas na mente de muitos dirigentes políticos islamitas.

E será por tudo isto que a Turquia continua a bater, sem resposta, à porta da Europa.

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