Um herói Português, Henrique de Paiva Couceiro. Vasco Pulido Valente

Aqui há trinta, ou quarenta anos, havia cigarros com filtro e sem filtro.

As gerações de hoje não se lembram disso.

Mas havia!

Por isso, quando eu era rapaz me lembro de alguns velhotes dizerem uns para os outros:

Dá-me daí um paivante.

Como não sabia o que era a expressão perguntei:

O que é um paivante? E alguém me esclareceu que paivante era um cigarro com filtro.

Devo confessar que fiquei apenas parcialmente esclarecido sobre esta questão dos paivantes até Vasco Pulido Valente, me esclarecer por completo neste livro.

A obra chama-se: “Um herói Português, Henrique de Paiva Couceiro”.

E a história dos paivantes prende-se com um momento particular da história de Portugal do século XX, quando o capitão, Paiva Couceiro, foge com os seus fiéis monárquicos para a Galiza a fim de combater a república de 1910.

Quem fugia com ele era uma certa aristocracia portuguesa, mais idealista do que propriamente reaccionária.

E em minha opinião mais lírica que romântica.

Era gente habituada, não a viver bem, mas a viver muito bem, mesmo em tempo de guerra.

Por isso, já em 1911, os oficiais de Couceiro fumavam cigarros com filtro, meio século antes dos cigarros com filtro começarem a ser produzidos em massa.

Ele e os seus seguidores eram homens de outros tempos.

De um Portugal que há muitos séculos já não existia. Paiva Couceiro, ele próprio, terá existido quando muito nos tempos em que Amadis de Gaula dos tempos de D. João III  já não existia também.

Neste livro, Vasco polido Valente diz a certa altura

LEIO A PÁGINA 12 E 13 (De novo reitero que se trata da transcrição do script do excerto Guarda Livros do programa Montra do Lilau. Assim quem quiser saber o que leio terá que adquirir o livro, já que os programas da TDM não estão (infelizmente, por agora) on line na Internet)

Um Herói português, Henrique de Paiva Couceiro, 1861-1944

Um edição da Aleteia Editores publicada o ano passado.

É uma biografia assinada por um corajoso autor, que é Vasco Pulido Valente e digo que é corajoso, porque em Portugal, parece, que ao contrário do resto do mundo, fazer biografias é quase pecado.

Vasco Pulido Valente

Será que nós portugueses recusamos a nós próprios a honra de ter heróis, mesmo que reaccionários e deslocados no tempo?

Não sei, mas mesmo assim deixo a pergunta:

Por que será que é que em Portugal, as biografias se contam quase pelos dedos das mãos, enquanto na bibliografia internacional ainda hoje as biografias são quase todos os meses best-sellers?

Será que não gostamos de nos ver ao espelho?

Não sei…

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