Pirates, Of the South China Coast – 1790 a 1810. Dian Murray

Os assaltos no golfo de Adem, nas costas da Somália voltaram a colocar a pirataria e os piratas na ordem dia.

Navios das mais diversas tonelagens são atacados. As tripulações dominadas e os piratas exigem resgates avultadíssimos aos armadores e aos governos, para devolver as presas.

Voltamos portanto hoje aos tempos dos flibusteiros do século XVIII.

Durante muitos e muitos anos pouco se ouviu falar de pirataria, e a razão terá a ver com o facto de a partir do final da segunda guerra mundial as pessoas deixaram de viajar por via marítima passando a faze-lo em massa pelos ares.

Talvez por isso a actividade dos piratas passou a dar menos nas vistas.

No entanto, não se pode dizer que a segurança nos mares tenha sido um facto, ou os piratas tenham desaparecido como por encanto durante muitas décadas.

Longe disso, o que se passou é que a maioria dos navios alvos da pirataria transportavam apenas carga e por isso captavam menos a atenção dos jornais.

A pirataria aérea a partir dos anos 60 e 70 é que passou a concitar atenções.

Portanto, a pirataria existiu sempre e por vezes pôs mesmo em perigo a sobrevivência de nações.

É ainda comum dizer-se hoje, por exemplo, que Macau teria sido dada aos portugueses, pelo auxílio que prestaram ao “Império do Meio” na limpeza  da costa dos piratas que tinham bloqueado por completo as ligações marítimas da China com o exterior.

Hoje sabe-se que isso não foi bem verdade, mas a verdade é que Portugal prestou inestimável auxílio a Pequim na luta contra eles.

E não só nos primórdios da existência de Macau.

Noutras épocas, Macau mobilizou-se em conjunto com a China, em acções um pouco semelhantes às que têm actualmente lugar nas costas da Somália e onde a China participa com um contingente naval internacional.

Uma dessas ocasiões aconteceu em 1810 e teve repercussões excepcionais para o Território.

Do que aconteceu e não foi pouco, pode ler-se neste livro.

Chama-se; –  “Pirates, Of the South China Coast – 1790 a 1810”.

O livro faz um retrato da segurança dos mares nesse período no Sul da China, detendo-se particularmente sobre a acção de Kam Pao Sai, um líder marginal que assolou durante mais de uma década não só a região do Delta do Rio das Pérolas, mas que efectuou incursões bem mais a norte imobilizando por completo os movimentos da marinha chinesa.

Nessa conjuntura, Macau mobilizou-se para a ajudar, tanto mais que o seu próprio comércio estava em perigo.

Assim foi armada uma esquadra de emergência, que custou dinheiro e bom dinheiro e que quase ia levando Macau à bancarrota.

Valeu a ajuda preciosa da Tailândia (qual Fundo Monetário Internacional) que disponibilizou um empréstimo vultuoso ao território, o que lhe permitiu armar os navios necessários e apronta-los para o combate.

Diga-se que esse empréstimo haveria de demorar quase cem anos a ser saldado. Mas apesar dos atrasos Macau acabou por pagar a conta!

O dinheiro tailandês e a decisão do Governador Alvarenga e do Ouvidor Arriaga, que pediram o empréstimo permitiu que a pequena esquadra de Macau, de pouco mais de meia dúzia de lorchas e brigues, bloqueasse os piratas junto à ilha de Lantau, mais ou menos no local onde hoje se encontra o aeroporto de Chek Lap Cok e esmagassem a frota inimiga.

Diz-se que o número de juncos piratas se elevava a mais de trezentos, embora não haja dados muito fiáveis.

De qualquer maneira foi uma estrondosa vitória, onde participaram também alguns navios ingleses.

Segundo Dian Murray, a batalha terá marcado o fim dos esforços consertados entre a china e as potências ocidentais no combate ao banditismo nos mares.

Depois disso as concessões estrangeiras na China começaram a estabelecer-se e cada país encarregou-se de manter a ordem por si próprio incluindo Macau.

Resta dizer que a autora deste livro, Dian Murray, professora de história na Universidade de Notre Dame, se especializou em estudos asiáticos e tem publicado diversas obras a maior parte das quais sobre assuntos um tanto ou quanto controversos da história da China.

Dian Murray, professora de história na Universidade de Notre Dame.

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