A Life in Secrets, The Story of Vera Atkins and the Lost Agents of SOE

Grandes mulheres num papel secundário são frequentes no Mundo, mas muito poucas são como no cinema Merril Streep, por exemplo.

Na política então, as mulheres, ou passam em primeiro plano pela ribalta, como Golda Meyr, Margareth Tatcher, Indira Ghandy, sei lá!… Ou desaparecem engolidas na voragem dos elencos que mudam tão vertiginosamente como os figurantes nos filmes.

Creio que aqui bem perto, Aun San Su Ky de Myanmar (antiga Birmânia) acabará também em página de rodapé da história.

Alimenta cabeçalhos de jornais e primeiros planos das televisões, mas parece irremediavelmente condenada não à prisão domiciliária, em que se encontra, mas sim ao papel ingrato de actriz em papel secundário, sem que antes tivesse obtido galardão de actriz principal

Ou algum acidente a faz ascender na volátil conjuntura birmanesa, a papel determinante ou daqui a alguns anos poucas pessoas, fora de Myanmar, recordarão quem tenha sido.

A não ser que algum biógrafo, na altura certa, a arranque ao anonimato e a faça regressar ao mundo dos mitos, com que vivemos, convivemos e de que também alimentamos o espírito.

Mas isso somente se o momento for propício e o biografo capaz.

E ao longo da história quantas mulheres anónimas não desempenharam na vida papéis de extraordinário valor e mérito, sem que porém disso tenha sido dado conta, mesmo enquanto viveram, até pelos amigos e vizinhos?

Um caso exemplar é o de Vera Atkins.

Creio que nem mesmo em vida este nome terá despertado qualquer atenção especial, ou melhor creio que em vida se dedicou de uma forma invulgar a tratar de que o seu nome não despertasse atenção, já que a sua profissão era essa.

Levar a vida em segredo.

Felizmente que houve biógrafo, neste caso biógrafa que reparou no erro e colmatou a omissão.

Refiro-me a Sarah Helm, uma jornalista britânica, que decidiu fazer justiça a Vera Atkins, e a um inaceitável anonimato.

A humanidade tinha de saber.

De facto a sua vida ficaria irremediavelmente contida para sempre no curto epitáfio da campa rasa onde se encontra sepultada, – nascida em Bucareste em 1908, falecida em Hanstings, Inglaterra no ano 2000, – se Sarah Helm, não a tivesse retratado extensamente aqui.

E que invulgar retrato este que perpassa neste livro que se chama “A Life in Secrets, The Story of Vera Atkins and the Lost Agents of SOE”.

Ou seja, em português, qualquer coisa como “Uma vida em Segredo, A história de Vera Atkins e os Agentes Perdidos dos Serviços de Operações Especiais”.

Mas quem era esta mulher?

Nascida em Bucareste, como disse,  Vera Atkins pertencia a uma  família judia que emigrou para Inglaterra em 1933.

Depois de alguns anos na Grã-bretanha, mudou-se para França, onde estudou línguas modernas na Sorbone, concluindo o curso em Lausana na Suiça.

Em Maio de 1940 regressou a Inglaterra e no ano seguinte entrou para o desk francês executivo dos Serviços de Operações Especiais, do Inteligence Service, como agente civil.

Em 1944, passou a integrar os quadros da Força Aérea com o posto de tenente-coronel, passando a ser a número dois dos serviços de informações

Em 1987 seria agraciada com a Legião de Honra de França, antes de se reformar passando a viver em Hastings, num lar de idosos, no Sul de Inglaterra, onde morreu com 92 anos de idade.

Vera Atkins, foi a responsável directa pelo treino de dezenas de agentes, cuja missão era apoiar a resistência para lá das linhas alemãs, sendo lançados de pára-quedas no interior de França.

Mas esta mulher não se limitou a enviar outros homens e mulheres para um destino incerto e a reportar burocraticamente o desaparecimento dos seus agentes, sempre que isso acontecia.

Bem pelo contrário dedicou inteiramente a sua vida profissional a tratar dos bravos que formara e a seguir-lhes as pistas depois da guerra durante anos até ter a certeza do destino que cada um tivera.

De muitos acabou por saber os destinos nas listas de executados dos campos de extermínio nazis de Natzweiler, Ravensbruck e Dachau, recuperados no fim da guerra.

Mas a sua vida foi tanto mais intrigante quanto até a sua própria família sempre desconheceu o que fazia, para além de saber vagamente que trabalhava nos serviços auxiliares da Real Força Aérea Britânica.

Falta apenas dizer alguma coisa sobre a autora desta interessante biografia.

Chama-se Sarah Helm, é jornalista, começou por trabalhar como repórter no Sunday Times, até ingressar como elemento fundador de o “Independent” em 1986, sendo ali editora dos assuntos diplomáticos.

Mais tarde foi também correspondente no Médio Oriente e na Europa continental.Recebeu vários prémios nomeadamente o Laurence Stern Fellowship do jornal Washington Post.

E pronto “A Life in Secrets”, grandes segredos da grande hecatombe mundial do século XX.

E sobre os ombros de uma mulher, que passou a reforma num asilo da terceira idade muitos segredos repousaram e com ela desapareceram sem ser revelados.

Advertisements

Leave a comment

No comments yet.

Comments RSS TrackBack Identifier URI

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s