A History of Hong Kong

Em Hong Kong há bem menos preconceitos em relação a determinadas matérias, do que em Macau.

Um desses preconceitos tem a ver com a forma como se encara a história e a maneira de a contar.

Uma história de Macau está prometida há mais de uma década, mas até agora a promessa continua por cumprir.

Bem sei que Macau tem quatrocentos anos de história desde a chegada dos portugueses e mais pelo menos cinco mil para trás.

Não será fácil contá-la, mas mesmo assim creio que uma década seria suficiente para trazer a público qualquer coisa.

Portugal tem oitocentos anos de história e também mais de cinco mil para trás e contam-se às dezenas as histórias que por aí circulam.

A última saiu o ano passado.

Claro que Hong Kong, tem uma história jovem, de menos de cento e setenta anos, pelo que será bem mais fácil contá-la.

Mas para tão curta memória, aqui temos um volume com 623 páginas que a conta, não a partir de nenhuma pré-história, mas a partir de 1841, data em que o capitão Helliot, à frente de um destacamento naval, enterrou na praia, sensivelmente onde hoje fica o bairro de Admiralty, a Union Jack, a bandeira inglesa.

Isto cumprindo os desígnios do riquíssimo comerciante William Jardines, que preferia ter uma feitoria apenas para ele do que estar a submeter-se às leis portuguesas, em Macau e à conjuntura volátil que sempre se vivia em Cantão, eximindo-se às arremetidas da China contra o odioso tráfico do ópio.

Pois é a partir daí que ficamos a conhecer como um pequeno território que o primeiro ministro britânico Lord Palmerston descrevia à rainha Vitória como uma Barren Rock, ou seja um território que tinha menos valor do que as rochas áridas de que era feito, se transformaria, em poucos anos numa metrópole comercial internacional.

Tudo isto à revelia dos poderes políticos, porque Londres não estava interessada em ter tal colónia, nem a China queria perder mais um pouco do seu território que no século XIX, começou a ser retalhados pelas potências ocidentais que paulatinamente iam ocupando as mais importantes cidades costeiras do país sem que a dinastia Ching, corroída pela corrupção demonstrasse ânimo para se opor.

Mas foi assim, contra ventos e marés e graças à superioridade militar britânica, que Hong Kong nasceu.

Primeiro o crescimento de Hong Kong foi titubeante, os comerciantes ingleses não viam grande futuro na nova colónia, preferindo deixar-se ficar por Macau.

No entanto, o facto consumado parece ter feito com que a comunidade comercial estrangeira de Macau acabasse por se transferir a pouco e pouco para o outro lado do Rio das Pérolas.

Em 1860, Hong Kong era já um território política e socialmente estruturado e metia os pés aos caminhos do progresso.

Diga-se que a formação de Hong Kong muito deve aos macaenses, que constituíram o grosso do funcionalismo público que ajudou a organizar não só a administração daquela colónia, mas também o seu sistema bancário.

Muitos dos descendentes desses pioneiros, podem encontrar-se hoje nos vários escalões do sistema judicial de Hong Kong e alguns ainda nos quadros do Hong Kong and Shangay Bank, onde tiveram posições proeminentes no arranque desse instituição que hoje se conta entre os maiores bancos do mundo.

Bem resta agora falar sobre Framck Welsh, o autor desta história.

Ora bem. Frank Welsh nasceu em 1931, e é conhecido como historiador e novelista embora a sua carreira tivesse sido dispendida nos conselhos de administração da banca internacional.

Welsh, licenciou-se no Madalena Colledge em Cambridge e para além da carreira bancária dedicou-se a escrever extensamente sobre a história do Império britânico, particularmente sobre Hong Kong, a Austrália e a África do Sul.

Aliás foi o primeiro não Australiano a escrever uma história de grande fôlego sobre aquele país.

Vale a pena dar uma vista de olhos por esta obra que não deixa de falar de Macau que como se disse esteve na base da estrutura do governo de Hong Kong, a partir da data da cedência do território pela China à Grã Bretanha como consequência do tratado de Naking em 1842.

Welsh aborda também aqui alguns momentos importantes da presença britânica em Macau, principalmente o final da década de 30 do século XIX, momento em que os comerciantes ingleses se convenceram da necessidade de obter um porto próprio para o comércio do ópio, já que o governo de Macau não lhes dava garantias de segurança, preferindo  e muito bem colaborar com a China na erradicação desse tráfico que estava a arruinar o país em todos os sentidos.

Nessa época é de salientar a acção diplomática e o tacto político do governador Adrião Acácio da Silveira Pinto, que mais tarde viria a ser ministro plenipotenciário de Portugal na China, que conseguiu manter a neutralidade de Macau num momento difícil da sua história como foi a Guerra do ópio, sem no entanto ceder às exigências britânicas.

E assim nasceu Hong Kong, que depois de algumas décadas a viver do tráfico da droga acabaria finalmente por encontrar o seu próprio lugar no comércio mundial legítimo e tornar-se a grande praça financeira que conhecemos nos dias de hoje.

Franck Welsh conta aqui como foi toda essa história.

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