À Boleia pela Galáxia

À Boleia pela Galáxia é o título em português de “The Hitchhiker’s  Guide to the Galaxy”.

Para quem gosta de ficção científica este livro mais do que vale a pena.

É, como disse quando me referi a Artur C. Clarck, verdadeira literatura.

Devo confessar que só li a versão original em inglês que tenho aqui.

A colecção Argonauta, que o saudoso tradutor Eurico da Fonseca tão bem conseguiu verter para português na maioria dos seus livros deve ter também colaborado na tradução deste.

Não consegui averiguar.

Um livro sobre o qual Filipe D’Avillez diz o seguinte e cito: –

“O humor de Adams é brilhante e surpreende-nos constantemente.

Esta mistura de ficção científica com o nonsense tornado famoso pelos Monty Python (com quem Adams conviveu) resulta numa leitura divertida e frenética.

O forte da obra é, sem dúvida, e é bom ver que este não sai prejudicado pela tradução”.

Se a tradução for tão boa como as que Eurico da Fonseca fazia na colecção Argonauta estamos conversados.

É boa.

O livro é interessante.

Diria apaixonante para quem se deleita com o humor nas suas diversas vertentes quer goste de ficção científica ou não.

Faço um pequeno resumo.

Segundos antes da Terra ser destruída para dar lugar a uma auto-estrada intergaláctica, o jovem Arthur Dente é salvo pelo seu amigo Ford Prefect, um alienígena disfarçado de actor desempregado.

Juntos, viajam pelo espaço na companhia do presidente da galáxia um ex-hippie, com 2 cabeças e 3 braços, Marvin, robot paranóico com depressão aguda, e Veet Voojagig, antigo estudante obcecado com todas as canetas que comprou ao longo dos anos.

Onde estão essas canetas? Porque nascemos? Porque morremos? Porque passamos tanto tempo entre as duas coisas a usar relógios digitais?

Se quer obter estas respostas, estique o polegar e apanhe uma boleia pela galáxia.

Isto são perguntas que nunca nos fazemos a nós próprios pelo menos alguma vez na vida, seriamente, digo eu.

Porque coleccionamos coisas?

Porque nos apegamos a isto ou aquilo?

Porque estamos aqui?

Porque nos apaixonamos?

Vale a pena ser o que somos, ou melhor será ser e não perguntar nada?

The “Hitchikers Guide to the Galaxy” é o manual que responde a todas as nossas perguntas espontâneas, ou disparatadas, ou filosóficas, ou apenas pedantes, ou liminarmente tolas.

Vale a pena ler.

E depois leia também esta sequela que se chama: – “So Long and Thanks for all the Fish”.

É o regresso à Terra de Arthur Dent.

O encolher de uma galáxia inteira na pequenina casa que reencontra na sua vilória de província na Inglaterra rural, que afinal acabou por ser restituída à sua originalidade pelos poderes galácticos que conseguiram sobrepor-se ao todo o mando dos tractores dos patos bravos da construção civil.

Podia ser numa qualquer casa de xisto, ou de granito de uma serrania da Beira ou de um monte alentejano.

Ou se calhar em Coloane, onde os poderes galácticos teimam em destruir aos pouquinhos a floresta e aniquilar os esquilos que acham que são os verdadeiros donos dessa pequeníssima selva natural a atentar pela forma como fazem equilibrismo nos cabos da companhia de electricidade e roem as nozes do arvoredo público sem pedir licença nem à CEM nem à edilidade.

Creio que um dos meus vizinhos de Coloane se chama Arthur.

Será também Dent?

Se é o caso esperemos que Ford Prefect esteja por perto para procurar a entrada adequada na enciclopédia electrónica a fim de resolver a situação dos baldios.

Se não estiver sabemos que há sempre a entrada salvadora que diz assim:

– Don’t Panic (não entre em pânico) e a situação se resolverá.

A verde Coloane voltará a restabelecer-se porque os procedimentos administrativos do Universo acabam sempre por repor a legalidade

Leia o livro.

Veja o filme.

E vai verificar que o futuro pode ser mais sombrio do que imagina, ou muito mais hilariante do que alguma vez pensou.

Se calhar já experimentou a desagradável experiência de ter de mudar de casa no NAPE (Novos Aterros do Porto Exterior), ou em qualquer outro sítio, só por que no sítio onde mora vai passar a auto estrada da inflação promovida por uma companhia imobiliária que pretende aumentar os preços dos imóveis e das rendas para dimensões inimagináveis e o vai pôr na rua sem remissão.

Agora imagine poderes galácticos a fazer novo traçado da Via Láctea, ou estrada de S. Tiago, nalgum local que necessite de um viaduto de saída para.

Para sabe-se lá para quê?

Volto para a semana com mais livros e mais autores.

Uns realistas, outros surrealistas, outros perfeitamente disparatados, mas todos com  alguma coisa importante a dizer para a nossa vida quotidiana ainda que achemos que o mais importante na vida é não deixar de  pagar a conta da electricidade, do gás, da água, do condomínio e naturalmente a renda de casa.

Termino perguntando-me. O que é que a ficção científica tem a ver com a vida real e respondo se calhar muito mais do que com o que deparamos nas nossas vidas quando dobramos uma esquina, quando saímos do emprego ao fim da tarde, ou simplesmente quando nos acontece qualquer coisa inesperada ao Domingo, ou numa quarta-feira qualquer.

Advertisements

Leave a comment

No comments yet.

Comments RSS TrackBack Identifier URI

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s