Camões em Macau uma certeza histórica

Aqui há uns 10, ou 20 anos, entre os académicos e historiadores a passagem de Camões por Macau pouco passava de um mito.

Leitão de barros no seu filme, mostrava o poeta como tendo escrito “Os Lusíadas” em Macau e entre ondas alterosas dava-o como salvando a bíblia nacional a nado, da maior tempestade do Mundo, nos mares do Sul da China, sem lhe esborratar uma linha.

Nem tanto ao mar nem tanto à terra.

Camões não escreveu os Lusíadas em Macau.

Isso sabe-se de ciência certa como o próprio dizia.

Mas Camões, aqui fez alguma da sua obra e talvez mesmo algumas estrofes do grande livro de Portugal.

E é complexo e é estranho que o maior poeta nacional, o mais estudado pelos autores da história da nossa literatura tenha sido o menos estudado pelos historiadores da história de Portugal.

Isto até, aqui há uns anos, quando Hermano Saraiva se afoitou a estudar a vida do poeta, não sob o ponto de vista exclusivamente literário, mas também biográfico.

Com elementos seguros desfez mitos e lendas incluindo o filme de Leitão de Barros.

Ele di-lo em vivo em Macau num documentário da TDM

Este pronunciamento confrontou-se não com o antagonismo dos académicos, mas apenas com a sua soberana indiferença.

Nenhum encartado cioso de carreira pegaria no tema. Primeiro, porque seria necessário obter bolsas de estudo e coisas do género para o investigar e segundo porque a coisa pareceria muito semelhante aos sinais das planícies de Nasca no Peru que ninguém sabe explicar porque foram feitos e por isso é melhor não tocar no tema de forma científica, para não correr o risco cair no académico ridículo.

E o ridículo académico, digo-lhe, é coisa que poucos, muitíssimo poucos se decidem a enfrentar.

Mas, entretanto, um jurista, ex-magistrado, apaixonado pela história ousou pegar de novo no tema abordando-o da forma que melhor sabia, ou seja de uma forma jurídica.

Fez de Procurador da república, investigou prós e contras e instituiu um processo, não se sabe se civil ou criminal, já que Camões quando era vivo incorreu em ambos.

Mas Eduardo Ribeiro, não se limitou ao papel de procurador da história, mas sim também ao de juiz e desenvolveu sentença, sem atender mais ao Ministério Público que acusa do que às partes que desenvolvem testemunhos sem serem propriamente advogados, ou seja ouviu todas as partes sem pré juízos.

Processo interessante o deste livro em que nenhum recorrente tem primazia.

Ouvidos os autos e debatida a causa, como se diria em linguagem judicial, foi lida a sentença: – A presença de Camões é uma certeza histórica.

A sentença parece-me correcta e com toda a certeza fará jurisprudência.

Um livro bem escrito, bem estruturado e que só não é um best-seller, porque Portugal, é mercado literário pequenino onde não há best-sellers do género.

Mas daqui para a frente, estou certo, Eduardo Ribeiro, que diz que não é historiador, vai ser citado por muitos historiadores que virão a seguir, por ter sido o primeiro a aduzir factos e circunstâncias que redundam em justa conclusão.

Quanto ao que Camões fez nos seus poucos anos de Macau, isso é outra história, já que o poeta era nesses primórdios de Macau o único letrado entre analfabetos, exceptuando alguns padres que sabiam ler e escrever mas, que nesses tempos estavam mais interessados em fazer catecismos do que historiar a presença portuguesa em Macau, quanto mais a presença de um poeta por mais famosos que fosse mesmo já nessa época. E Camões não era historiador não foi biógrafo de si próprio que se saiba.

É por isso que o nome do poeta consta apenas de um documento de compra e venda do século XVI que fala nuns “penedos de Camões”, que se sabe também serem os que se erguem no jardim que leva em português e nome do vate e que em chinês é conhecido por Pak Kap Chau (Jardim das Pombas Brancas).

“Camões em Macau, Uma Certeza histórica”.

Um livro onde Dinamene se torna mais real do que as pedras do jardim que lhe dão nome.

“Camões em Macau, Uma certeza histórica” é uma obra de Eduardo Ribeiro, editada pela COD em 2007.

Advertisements

Leave a comment

No comments yet.

Comments RSS TrackBack Identifier URI

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s