A retirada da fundação 30-03-10

A Fundação Oriente (FO), será mais de outros orientes, do que daquele onde foi gerada e mesmo assim não tanto, ou muito menos, quanto seria de esperar. Atentando bem, será mais da “ocidental praia”, do que da oriental Praia Grande, ou pelo menos tem vindo, consistente e determinadamente, a ser assim vista.

A atitude de retirada da FO, particularmente em Macau, não é só uma pena, é um agravo e não me refiro apenas ao caso da Escola Portuguesa (EPM).

Desde 1996, que a FO, justifica as poupanças orçamentais que implementa, comparativamente ao que gastava anteriormente, com o corte nas receitas do jogo.

É uma alegação que parece ser consentânea com a necessidade de pôr acento tónico na parcimónia, mas que não justifica a amplitude da retracção que se tem verificado.

Mas ao corte das receitas do jogo a FO, tem vindo agora também a dizer que os gastos com a construção do “Museu do Oriente”, situado no antigo armazém do bacalhau (edifício Pedro Álvares Cabral) no Cais da Rocha do Conde de Óbidos, acentuam as dificuldades financeiras e por isso tem que gastar menos “cá e lá”.

Esta razão complementar, igualmente parece ser apenas determinante para a implementação de mais parcimónia na gestão, mas de modo algum justificativo para uma retirada em toda a linha que é o que parece implicar verdadeiramente a afirmação do “gastar menos cá e lá”.

È certo, que um museu, e mais ainda, com aquelas dimensões, deve ser de facto um grande sorvedouro e é certo também que a FO, desde sempre almejou possuir em Lisboa uma instituição assim.

Uma espécie de sonho antigo e exemplar, que o próprio, Carlos Monjardino, reivindicava duplamente, ou seja para a instituição que dirige e para si próprio, como objecto pioneiro em Portugal.

No entanto, certo é que, o “Museu do Oriente”, não é pioneiro, nem exemplar.

Não é pioneiro, porque, bem “escondido”, numas discretas traseiras da Rua da Junqueira, não muito longe do Cais da Rocha, já estava aberto ao público, tão pequeno como valioso e digno repositório.

Este espaço contém uma colecção de grande valor de peças orientais e integra-se numa “unidade de investigação e de alta divulgação”, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Portugal, para a cooperação, científica e cultural, com a China.

Apenas não se sabe se o seu orçamento corresponde às pequenas dimensões espaciais em que se insere, ou é mais amplo do que a proverbial mesquinhez com que a generalidade dos governos encara as coisas da cultura.

Por esta razão também o “Museu do Oriente”, ficará quando muito em primeiro plano em termos de visibilidade exterior já que soberanamente situado (em plena Avenida 24 de Julho), mas secundarizado pelo conteúdo do da Junqueira.

O acervo deste, é incontestável em termos de significado e valor histórico, enquanto que o do primeiro baseia o conteúdo numa colecção de máscaras orientais, de um coleccionador privado (de que não se contesta a importância, ou singularidade), mas que não se pode esquecer ter sido preterido, em França.

Teria sido assim, por falta de consistência intrínseca, ou evidente redundância que a dita colecção foi parar a Portugal.

Pode concluir-se pois, que Lisboa, em vez de passar a contar com um museu  pioneiro e exemplar sobre o Oriente, conta agora com duas instituições a braços com dificuldades.

Uma pelas menores fatias orçamentais que o Estado dispensa sempre que pode e onde pode. A outra, face à crise financeira global, cujos efeitos se fazem sentir em Portugal com inegável impacto em todos os campos.

Cumprirão assim cabalmente, o verdadeiro papel para que foram idealizadas, ou regista-se aqui apenas mais um caso inútil de duplicação?

Não teria sido mais frutuoso que o valioso recheio contido na discreta Junqueira decorasse antes os vastos interiores do proeminente edifício dos ex-armazéns do bacalhau?

Lisboa e o Oriente, multiplicariam vantagens, em visibilidade, dignidade, promoção de imagem, racionalidade de gestão e concertação de esforços.

Mas as coisas são o que são e por isso as pessoas terão de se limitar aos factos. Ou seja continuar a ignorar na generalidade onde fica o tal museu das “traseiras” do Nº 32, da Rua da Junqueira e a visitar o que mais fica à vista (e já agora, à mão, tendo em conta que é pelo Cais da Rocha que passam alguns dos dos maiores afluxos turísticos da cidade de Lisboa), que é o proeminente edifício da Avenida de Brasília.

Finalmente, refira-se que a contrastar também com o “Museu do Oriente”, permanece em Macau igualmente um soberano edifício, a “Casa Garden”, que parece patentear algum desequilíbrio entre as dimensões espaciais que possui e a discreta vida cultural que alberga.

Crê-se no entanto que corrigir tal desequilíbrio não estará nos planos da FO e do seu presidente, muito menos tendo em conta o tal recuo na EPM e a tal afirmação: – “gastar menos “cá e lá”.

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